Entrevista | Lana Del Rey Brasil | Sua principal fonte sobre Lana Del Rey no Brasil!


Após passar alguns dias em Paris, França, onde comemorou seu aniversário com a sua família, Lana Del Rey foi flagrada na manhã desta quarta-feira, 25, ao desembarcar no aeroporto de Heathrow, em Londres, Reino Unido. Com um look bastante simples que incluía calça jeans, camiseta e blusa, a cantora acenou e sorriu para os fotógrafos que estavam no local.

Confira as fotos abaixo:

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Nesta mesma manhã, a cantora foi convidada surpresa do programa da Fearne Cotton na BBC Radio 1. Ouça no player abaixo o áudio da curta entrevista:

Via Lana Del Lovers

Em curta entrevista ao site alemão 20 Minuten, Lana Del Rey falou sobre como foi cantar no casamento de Kim Kardashian e Kanye West, confirmou o fim do seu relacionamento de três anos com o músico Barrie-James O’Neill, e também sobre o álbum “Ultraviolence”.

Leia abaixo a entrevista:

Lana, recentemente você apresentou-se no casamento de Kim Kardashian e Kanye West. Como foi?

Foi ótimo! Eu só apresentei três músicas, incluindo “Young and Beautiful”, que é a música deles.

Como era o humor deles?
Bem descontraído. Até o convite deles era excitante. Kanye disse: “venha e cante.”

Você gostaria de se casar?
Claro! E eu gostaria de ter filhos. Espero que isso aconteça algum dia.

No início do ano, haviam rumores de que você e seu namorado estavam noivos.
Nós não estamos mais juntos.

O que isso significa?
Ele é um homem maravilhoso, mas há certas coisas que ele tem que superar. Eu não vou entrar em detalhes, porque isso foi difícil para o nosso relacionamento. Eu não estava me sentindo mais livre. Vamos ver como será de agora em diante.

Você acaba de lançar o seu novo álbum “Ultraviolence” – um grande sucesso. O que você mais espera para este ano?
Nada mais. O álbum está terminado. Ele levou muito tempo e exigiu muito de mim. Eu fiz o que eu queria fazer. Após o último festival, tudo estará acabado para mim. O que vem a seguir? Ainda não sei, mas estou completamente aberta para o que vier.

A música Fucked My Way Up To The Top é irônica de se entender?
Vou dizer assim: é uma mistura. De primeira, há amargura sobre o que algumas pessoas pensam sobre mim. Em seguida, a letra é sobre diferentes experiências que influenciaram minha vida.

Suas músicas são pesadas e sombrias. Quando foi a última vez que você ficou realmente feliz?
Quando eu segurei meu novo álbum em minhas mãos. Mesmo que isso soe um pouco clichê. Parecia uma manifestação de toda a agitação e beleza dos últimos anos. Caso contrário, eu fico feliz quando eu dirijo na Pacific Highway ouvindo The Eagles bem alto.

Entrevista traduzida por Gabriela Mendes e Thiago Goedert. – Equipe Lana Del Lovers

Nesta semana uma declaração polêmica de Lana Del Rey tomou conta dos jornais e sites do mundo todo. Em uma entrevista para o tabloide The Guardian, a cantora supostamente teria dito: “Eu gostaria de já estar morta”, mas de acordo com outra declaração dada por ela à um site norueguês, o jornalista tirou o que foi dito do contexto e fez parecer mais chocante do que realmente é.

Confira abaixo a resposta de Lana:

“Eu nunca disse isso, nem falei que morrer jovem é ‘glamouroso’. Isto é um exemplo do que eu chamo de sensacionalismo. Isso me deixa louca. Eu conversei com o jornalista por três horas, e ele havia assistido o meu show. Quando você está na mesma sala com alguém, não é apenas sobre o que eles dizem, mas também como eles são. É sobre ler entre as linhas. Ele não precisava ser tão literal. Além disso, ele fez perguntas bastante objetivas. Ele falou sobre Kurt Cobain e Amy Winehouse, e perguntou muito sobre a morte, me pressionou para ter respostas, do tipo, se eu pensava em morrer jovem, porque eu estava triste e já passei por muita coisa. Ele queria saber se eu desejava morrer, e sim, às vezes eu desejo, mas nem sempre. Apenas alguns dias, quando tudo fica muito difícil. Mas eu tenho dias bons. A maneira como ele escreveu a entrevista, fez parecer mais chocante do que é.”

Lana também aproveitou para falar sobre seu novo álbum, “Ultraviolence”. Ela revela que, na maioria das canções, ela está sendo sarcástica à respeito do que foi dito sobre ela nos últimos anos.

“Eu sinto que este álbum é mais descontraído, livre e sexy. Ele não se aprofunda tanto na minha história de vida, como acontece em grande parte do ‘Born to Die’. Tudo o que eu canto no álbum é uma mistura de coisas que realmente aconteceram, e coisas que as pessoas acham que aconteceu. ‘Money Power Glory’, por exemplo, é sobre como as pessoas me viam e me entenderam errado. É uma resposta sarcástica a isso. ‘West Coast’ e ‘Cruel World’ estão ligadas às emoções que experimentei na Costa Oeste, onde eu vivo agora depois que deixei Nova York. Tudo é sobre como os outros me vêem e como isso me afetou.”

Lana Del Rey teve um dia movimentado na sexta-feira, 07. Para promover o seu novo álbum, a cantora concedeu entrevistas a diversas estações de rádio localizadas em Los Angeles. À noite ela conversou com o apresentador JoJo, da KIIS FM, e falou sobre o processo de gravação do álbum, seu relacionamento com Dan Auerbach e tocou o single “West Coast”.

Ouça o áudio abaixo:

Lana também falou com a estação ALT98.7 FM, onde revelou ter gravado um vídeo para a música “Shades of Cool” e que pretende lançá-lo assim que o álbum sair.

Clique aqui e ouça a entrevista para a estação KROQ.

Em entrevista para a revista alemã GRAZIA, Lana Del Rey falou sobre filhos, novo álbum, sua participação em uma seita quando jovem e muito mais. Leia abaixo a tradução da matéria:

Ela está de volta e em todos os lugares! Ela até cantou no casamento do Kanye West e Kim Kardashian. Na próxima semana o seu novo álbum, Ultraviolence, será lançado com canções de sucesso como Shades of Cool. Mas nós pensamos que o mais legal foi como Lana conversou conosco tão abertamente sobre seus altos e baixos, maus gurus e seus desejos e vícios.

Primeiro Coachella, em seguida, Cannes, eventualmente Versailles. Recentemente Lana Del Rey está indo de um show para o outro, mas quando a conheci em um hotel de luxo em Beverly Hills, ela parecia completamente relaxada. A bela cantora, que redefiniu o significado de “retrô-frieza” quando apareceu de repente em 2011 e tomou conta das paradas, acabou de se mudar de Nova York para a praia. Então, ela vem para a entrevista como uma menina surfista de verdade – ela usa jeans curto, uma camisa clara, sandálias – e nos surpreende com sua naturalidade que não esperávamos.

Será que a vida em Nova York se tornou muito agitada para você?
Bem, a minha gravadora está localizada em Los Angeles. Sou de Lake Placid, um lugar nas montanhas. Assim, no Pacífico me sinto como se estivesse no paraíso. Agora eu ando descalça pela areia da praia sempre que posso.

E você pensa: Você percorreu um longo caminho?
Bem, sim, mas não sobre a minha carreira. Mas em termos de estilo de vida. Eu acho que esta vida na praia se encaixa melhor em mim do que Nova York. E eu amo o calor.

Seu status como estrela global também?
Em alguns dias, eu posso fazer isso, mas em outros, que eu estou lutando com a minha identidade, eu não sei onde eu pertenço. Felizmente, cada vez mais tenho dias bons do que ruins. E esse risco de perder o chão sob os meus pés não existe de jeito nenhum.

Por que tem tanta certeza?
Eu tenho uma grande família, então eu não tenho que ficar me preocupando em manter o chão sob os meus pés, isso acontece automaticamente. Em casa é principalmente sobre Charlie e Caroline e sobre o que eles querem.

Quem são?
Meu irmão e minha irmã. Eles são mais jovens do que eu, 20 e 25. Eu meio que cuido deles. Nós todos vivemos na mesma casa. Nós três e Barrie, meu namorado.

Parece ser bem divertido.
Bem, todos nós estamos vivendo algumas grandes mudanças. Barrie deixou a sua banda [Kassidy], os meus irmãos estão apenas se tornando adultos.

E qual a mudança que você está vivendo?

Eu realmente gostaria de ter uma estabilidade emocional constante. Eu estive procurando por isso a minha vida inteira. Naturalmente, eu sou calma, uma observadora reservada.

Por ser uma estrela, você parece surpreendentemente introvertida.
Eu venho de uma família em que falamos sobre os nossos problemas em um pequeno círculo. Eu cresci assim. Ao contrário daquelas pessoas que parecem viver no Twitter e acredito que eles sempre tem que fornecer informações sobre qualquer coisa.

Como você consegue não ser tão onipresente, como Lady Gaga?
Você pode controlar isso. Por exemplo, se você vive na periferia da cidade como nós, em uma área normal com vizinhos completamente normais.

Como você se tornou famosa de uma hora pra outra, as pessoas duvidaram da autenticidade da sua música.
Eu sempre me senti confiante sobre minha música. Quem não tem nada a dizer, não pode criar música pop. Eu já sei que depois vou contar toda a história da minha vida para os meus filhos com base em minhas músicas.

Assim como você faz em Fucked My Way Up to the Top do seu novo álbum?
É sobre uma cantora que primeiro zombou do meu estilo supostamente não autêntico, mas depois ela o roubou e o copiou. E agora ela está agindo como se eu fosse um projeto de arte e ela a verdadeira artista. As pessoas realmente acreditam nela, ela é um sucesso! Eu não deveria continuar falando sobre isso, não vai levar a lugar algum.

Mas agora você tem que nos falar sobre quem você está falando.
Infelizmente, não posso, sabe?

O que mais você vai contar para os seus filhos (e para nós)?

Eu costumava ser um membro de uma seita subterrânea que era comandada por um guru. Ele cercou-se de jovens e ele tinha um carisma insano. Eu não podia resistir. Então, eu estava nessa seita, porque eu estava com saudades do amor e da segurança. Mas então eu descobri que este guru não era uma boa pessoa, mas sim uma má pessoa. Ele pensou que tinha que quebrar as pessoas primeiro, antes que ele pudesse construí-las novamente. No final, eu deixei a seita.

Louco!
Sim, parece que eu atraía histórias selvagens e experiências extremas. (Risos)

O que mais?
Nossa família tem uma longa história a respeito de comportamentos viciantes. Até loucura extrema existe na nossa casa. Como eu, que corria um risco maior do que as outras pessoas por não ser capaz de lidar com o álcool…

Tinha?
Sim, por dez anos eu não toquei em uma bebida – mas eu realmente gostaria de alguma forma. Afinal de contas, pode ser que agora eu sou capaz de lidar com o álcool melhor.

Por que você acredita nisso?
Bem, eu joguei âncoras. Eu preciso descobrir como harmonizar o desejo de – emocionalmente e literalmente – manter o chão sob meus pés com minha ambição de seguir em frente como uma artista. Agora eu não tenho nenhuma ideia de como isso deve funcionar.

Então, nenhuma criança por agora?
Eu estaria pronta! (Risos) Mas Barrie é mais jovem do que eu e ele não está no clima para ter filhos ainda.

Você trabalhou como modelo para a H&M e Mulberry. Você sabe o que o ramo da moda vê em você?
Eu não sei. Como uma cantora indie de Nova York, eu não podia pagar por roupas elegantes ou caras. Provavelmente eu só estava no lugar certo e na hora certa. E como o ditado diz? Vá lá, onde é quente.

Tradução por Gabriela Mendes e Thiago Goedert. – Equipe Lana Del Lovers

Capa da edição de julho da revista The FADER, Lana Del Rey concedeu uma longa entrevista para a edição, onde ela fala abertamente sobre seu passado, comenta sobre movimento feminista e revela detalhes de seu relacionamento de sete anos com um alto executivo. Leia abaixo:

A câmera dá um zoom em Lana Del Rey quando ela se afasta da multidão, escondendo tudo menos a silhueta do rosto. No fundo, uma enorme tela pisca com profundo roxo e azul; ao seu lado no palco fica uma palmeira em um vaso. Por um minuto inteiro: aplausos desenfreados. Gentilmente, ela enxuga uma lágrima com o dedo médio de sua mão esquerda e, em seguida, limpa o nariz. Finalmente, ela se vira para abordar o público, sorri e diz: “Eu acho que vocês terão que cantar para mim.” O piano começa, e todo mundo começa a cantar, muito alto e muito claramente. Ela tenta cantar também, é claro, em seguida, faz uma pausa para chorar e sorrir ao mesmo tempo, aparentemente dominada pelo afeto do público. Mas ninguém mais para de cantar: “It’s you, it’s you, it’s all for you…”

Lana Del Rey, a cantora cujo muitas vezes parece uma exposição cuidadosamente construída, não concebeu esta cena, como ela tem muitos vídeos de música que ajudaram a impulsionar para a fama. Primeiro vieram as montagens de 2008 – prenunciando assustadoramente a estrela, no qual ela costura imagens encontradas com improvisos na frente de uma bandeira americana com seu apelido, Lizzy Grant. Naquela época, as vezes, ela fazia quatro vídeos para a mesma música, mas na maioria das vezes, ninguém mais os viu. Em seguida veio Video Games, que aplicou esse look para um som um pouco mais cheio, e empurrou Grant, agora cantando como Lana Del Rey, a partir de clipes gravados no quarto para clipes de enorme sucesso. Em seguida, os grandes orçamentos chegaram: ela sentou-se em um trono ao lado de dois tigres no vídeo de Born to Die, encarna tanto Jackie O e Marilyn em um espaço de minutos para National Anthem e, para Tropico, descansava com Elvis e John Wayne no céu. A filmografia de Lana Del Rey é uma master class sobre como construir um ícone, e, no entanto, nenhuma filmagem parece prova de sua iconicidade tanto quanto o clipe trêmulo de uma chorosa performance em 2013, filmado em um celular por um fã, em Dublin.

Eu a pergunto por que estava chorando. “Eu estive doente em turnê por cerca de dois anos com esta anomalia médica que os médicos não conseguiam descobrir”, diz ela, para minha surpresa. “Essa é uma grande parte da minha vida: eu me sinto muito mal a maior parte do tempo e não consigo descobrir o porquê. Eu tomei uma injeção na Rússia, onde estive. Era forte. Assim como era pesado se apresentar para pessoas que realmente se preocupam com você, e você realmente não se importa muito sobre si mesma às vezes. Eu achei que era triste. Eu pensei que minha posição era triste. Eu pensei que era triste estar na Irlanda cantando para pessoas que realmente se importavam quando eu não tinha certeza se eu me importava.”

Estamos conversando no quintal do fotógrafo desta história, no Brooklyn, e ela está vestindo uma de suas camisas. Cabe-lhe mal – provavelmente, uma de tamanho XXL de homem – e com seu cabelo e maquiagem prontos para a foto da capa, ela dá a impressão de ser o par de um jovem lenhador na manhã depois do baile. Ela deve saber isso. Eles estavam tirando as fotos dentro da casa mais cedo, em uma tentativa de uma visão mais descontraída de uma estrela conhecida por seu glamour de Hollywood, quando notou um rack de suas roupas vintage e pediu para usá-las. Mais do que beleza crua, o dela é o dom de produzir um efeito preciso; voilá, ela se parece com a namorada de alguém.

Estamos a algumas semanas do lançamento do seu segundo álbum com uma grande gravadora, Ultraviolence e, como qualquer artista com mais de um bilhão de visualizações no YouTube, Lana Del Rey é abençoada e amaldiçoada com uma programação de punir. Antes de eu desligar meu gravador, depois de quase 90 minutos, seu assessor já tinha vindo duas vezes para terminar a entrevista. Em ambos os casos, ela o repeliu. Descalça, ela carrega uma descontração; ela é animada, pensativa, um pouco apreensiva. Depois, ela me diz que é a entrevista mais longa que ela já fez.

Toda sua equipe, diz ela, foi contratada em 2011, depois de Video Games ter atraído ofertas de Interscope e Polydor. “Eu conheci todo mundo na mesma semana”, diz ela. “Porque eu era muito tímida, eu meio que apenas fiquei com eles.” Mais tarde, ela menciona a equipe novamente, por meio de um auto-análise. “Eu nunca sou a estrela do meu show”, diz ela. “Eu tenho uma vida familiar muito complicada. Eu tenho uma vida pessoal complicada. Não é apenas a minha vida, é a de todo mundo nesta única família. É sempre sobre alguém, mesmo com as pessoas com quem trabalho. Eu sou a pessoa mais quieta no set, em geral. Na verdade, eu sou a única que está tentando manter tudo bem. É muito estranho. É um mundo estranho.”

Todos sabem a verdadeira identidade de Lana Del Rey: Elizabeth Grant. Nasceu em Lake Placid, Nova York, e estudou em um colégio interno em Connecticut. Quando ela começou a fazer shows em 2006, ao estudar metafísica da Universidade Fordham, no Bronx, foi com uma tendência folk e uma guitarra que seu tio lhe ensinou como tocar. O acorde F era muito difícil, ela disse mais tarde a BBC Mark Savage – “Quatro dedos? Nunca vai acontecer”, mas ela gravou um álbum acústico como May Jailer da mesma forma. (Esse disco, Sirens, nunca foi lançado, embora, eventualmente, vazou online.) Em 2008, ainda na faculdade, ela assinou um contrato de $10,000 com a gravadora 5 Points e se mudou para um trailer em North Bergen, Nova Jersey. A Index Magazine a entrevistou lá e quando perguntada sobre o pacote coeso da sua identidade musical, diz: “Tem sido uma ambição, um desejo ao longo da vida… ter uma vida definida e um mundo definido para se viver.”

Sob o nome de Lizzy Grant, ela lançou um EP, Kill Kill, e gravou um álbum, Lana Del Ray A.K.A. Lizzy Grant, que esteve guardado por dois anos antes de ter sido lançado digitalmente em 2010. Nessa época, ela já tinha virado morena e foi passar um tempo em Londres, em busca de outra coisa. Com a ajuda de um gerente recém-contratado e um advogado, ela comprou de volta os direitos do álbum e tirou-o do mercado. Daí em diante, ela seria conhecida como Lana Del Rey.

Mas seu passado ainda estava lá em traços online, a história de uma menina de cidade pequena com grandes sonhos e astúcia para mudar-se para torná-los realidade. Seria um conto de todos os americanos, se ela tivesse se ‘produzido’; em vez disso, havia uma sensação desconcertante de alguém nos bastidores, orquestrando sua carreira com um financiamento. E houve um suspeito curto espaço de tempo entre Video Games, que foi listado por muitos blogs como uma auto-libertação, e do anúncio de que ela havia assinado com duas grandes gravadoras. Em qualquer caso, ela nunca se envergonhou com a sua ambição; em vez disso, ela abraçou-a como um traço definidor. Ela era uma estrela que anunciou a sua própria chegada, cantando sobre a fama com uma melancolia, mesmo que estivesse começando a sentir o gosto.

A confiança de Lana Del Rey sobre sua própria vulnerabilidade transcende melodrama para os reinos da grande arte. No período desde o seu grande acerto de contas sobre sua autenticidade, uma coisa ficou clara: as acusações de construtividade não esmagaram-na. Ela diz que eles chegaram perto, no entanto. Pouco depois do lançamento de Video Games, ela começou a namorar outro músico, Barrie-James O’Neill. De acordo com um perfil dela para a revista Nylon, ele telefonou para ela de repente (depois de seu empresário ter lhe enviado um vídeo com a legenda “A sua futura ex-esposa”). A pergunto como ele era durante o período de seus ataques mais pronunciados. “Ele estava preocupado”, responde. “Eu era, você sabe, uma bagunça. Eu queria me matar todos os dias.”

Então eu pergunto a ela o que ela estava planejando com os antigos vídeos de Lizzy Grant, quando ela vestia uma peruca de Marilyn Monroe, armar-se nas estrelas e ‘explodir’ a webcam com um beijo. “Honestamente, eu sinto que é mais uma coisa de menina”, diz ela. “Eu estava meio que brincando, e, literalmente, eu ainda estou. Para mim, ser desta forma e me vestir assim não é diferente do que estar em uma peruca. É tudo a mesma coisa para mim. É tudo nada, é tudo tudo. Eu poderia realmente ir de qualquer forma. Eu vivi um monte de vidas diferentes. Eu vivia no Alabama com o meu namorado, eu vivi aqui no Brooklyn e em Jersey. Eu já fui um monte de pessoas diferentes, eu acho.”

Há um monólogo que abre o seu vídeo Ride, que ela me diz ser autobiográfico. Em National Anthem, ela está casada com A$AP Rocky, que interpreta um presidente negro que gosta de jogar dados. Em Tropico, ela corre com uma multidão latino-americano. Em uma série de outros, ela está com um cara branco magro com tatuagens. Os homens mudam, mas o sexo é constante; Lana Del Rey encarna procurando-se em outra pessoa. “Eu realmente não sei o que estou fazendo”, ela me diz em um ponto. “Eu estou tentando fazer o que parece certo. Eu tentei um monte de diferentes formas de vida, você sabe, coisas que eu nunca realmente falo, só porque eles são meio diferentes. Eu realmente não tenho uma forma fixa de que eu poderia imaginar-me a viver. Indo de um bom relacionamento para um bom relacionamento – eu pensei que era saudável.”

Sua interpretação dessas relações, no entanto, fez com críticas mistas entre as feministas. Alguns criticam a forma como ela parece idealizar impotência e servidão, enquanto outros apreciam sua personificação de diferentes identidades, bem como sua sinceridade sobre ambos seu desejo e sua fraqueza. Em qualquer caso, seus comentários sobre o assunto serão decepcionantes para os dois campos: “Para mim , a questão do feminismo não é um conceito interessante”, diz ela. “Estou mais interessada em, você sabe, SpaceX e Tesla, o que vai acontecer com as nossas possibilidades intergalácticas. Sempre que as pessoas trazem a questão do feminismo, eu fico meio ‘Deus’. Eu não estou realmente tão interessada.” Quando pressionada, acrescenta, mais esclarecedora: “Minha ideia de uma verdadeira feminista é uma mulher que se sente livre o suficiente para fazer o que quiser.”

Quando perguntada do porque sempre está sendo sufocada em seus vídeos, ela responde: “Eu gosto de um pouco de amor incondicional.” Isso levanta um ponto importante: ela é a única dispondo esses cenários à existência, romantizando as coisas que a machucam. Ela escreve suas próprias canções e tratamentos de música de vídeo, e uma auto-mitificação semelhante se aplica a suas entrevistas também.

Em uma entrevista ao Huffington Post, ainda como Lizzy Grant, ela disse a um repórter: “Performance mais estranha: sozinha em um porão para um executivo bonito de uma gravadora. Lugar mais estranho ao escrever uma música: de volta ao seu escritório quando estávamos dando uns amassos.”

Quando eu a pergunto se ela lamenta ter brincado assim, dada a frequência com que as pessoas julgavam-a como uma marionete de algum time de executivos, diz ela que não, pois a história era verdadeira: “Eu tive um relacionamento de sete anos com o chefe dessa gravadora, e ele era uma grande inspiração para mim. Ele nunca assinou comigo, mas ele era como minha musa, o amor da minha vida.” Ao invés de se afastar do ninho de cobras que é o sexo e poder, ela caminha para diretamente nessa direção. Em Ultraviolence, há uma canção chamada Fucked My Way Up To The Top.

Em comparação com Born To Die, o novo álbum soa muito mais como a música rock straight-up, gravado em takes ao vivo com uma banda em Nashville montado pelo produtor Dan Auerbach. Ela está se retirando do pop contemporâneo, um espaço no qual ela diz que nunca se sentiu confortável; se afastando das estampas de gênero que deu sua estreia a impressão de tentar demasiadamente estar na moda. Ela parece ter encontrado confiança em psych-rock e swing narcotizado.

Uma das linhas mais reveladoras de Born To Die foi na canção Off To The Races: “I’m not afraid to say that I’d die without him.” Dentro do mundo independente do álbum, este era tanto um ponto baixo e um ponto alto, com Lana amarelando para proferir a dependência de homens, mas também ter a consciência de si mesma para dizer isso. Em destaque no Ultraviolence, em Brooklyn Baby ela exalta o namorado líder da banda por alguns versos, em seguida, soa estranhamente auto-confiante: “Yeah, my boyfriend’s really cool/ But he’s not as cool as me”. Pergunto-lhe sobre o verso, e ela diz: “Isso nem sequer deveria estar ali, mas eu meio que cantei com um sorriso, e Dan estava me olhando e rindo. Eu estou meio que de brincadeira.” Ela já convenceu a todos os outros o seu valor, mas aqui ela parece ter finalmente se convencido.

Naquela entrevista ao Huffington Post, ela falou de seu amor por ícones americanos: “Todas as coisas boas são reais mas não são, inclusive eu… O que quer que você escolha para ser a sua realidade, é a sua realidade.” Você pode ser a esposa do presidente, como em National Anthem, e você pode ser sua amante; você pode ser uma stripper e você pode ser Eva, como em Tropico; não importa qual versão de si mesmo veio antes quando você pode ser tudo de uma vez. Esse é um pensamento poderoso, e eu não tenho certeza se mesmo ela entende completamente. “Minha carreira não é sobre mim”, ela me diz em um ponto, lamentando os mal-entendidos sobre si que ela diz ter crivados ataques de seus críticos. “Minha carreira é um reflexo do jornalismo, o jornalismo atual, do dia a dia. Minha persona pública e carreira não tem nada a ver com o meu processo interno ou minha vida pessoal. Na verdade, é apenas uma reflexão no processo criativo dos escritores e onde eles estão em 2014. Literalmente não tem nada a ver comigo. A maioria de tudo que você já leu não é verdade.” Nós não sabemos quem ela é, mas você sabe o quê? Nem ela.

Em Ultraviolence, em Money Power Glory ela canta “My life it comprises of losses and wins and fails and falls”, um verso imediatamente seguido por mais auto-sacrifício: “I can do it if you really, really like that.” Mesmo se ela está apenas se adaptando para agradar, não é isso o que todos nós fazemos? Interpretamos uma identidade a cada dia, aprimorando-nos para um namorado e/ou um chefe. Usando a própria ideia de maleabilidade, Lana Del Rey formou-se uma superstar, colocando na música o drama humano de alterar-se para sobreviver e crescer. Ainda assim, ela está encantada com a auto-destruição, e talvez metamorfose também é sobre exatamente isso: você interpreta tantos personagens que você perde qualquer sentido estável de si mesmo, de modo que quando você está em pé na frente de uma multidão, por exemplo, e eles estão te gritando em louvor, sua resposta é a confusão e lágrimas.

Aquele cara tatuado e de olhos sombrios que sempre aparece em seus vídeos – de Blue Jeans a West Coast – é Bradley Soileau. Para o fim de nossa conversa, eu pergunto por que ela tem usado muito dele. “Eu gosto de Brad porque eu o respeito, ele é livre o suficiente para usar seu corpo como uma tela. Ele tem uma citação sobre a guerra escrito na testa. Eu gosto que ele sabia que ao fazer isso se afastaria da sociedade de uma forma que não poderia trabalhar em empregos normais. Ele tomou uma decisão consciente e manifestou-a fisicamente. Eu gosto do que isso simboliza.” Isso soa muito parecido com o que acontece com alguém quando se torna um músico famoso, eu digo a ela. Não há volta para ela também. “Isso é verdade. É algo bem fodido.”

Lana Del Rey acende outro cigarro. Eu a pergunto do que ela sente mais falta: “Sinto falta de tudo.”

Tradução por Gabriela Mendes. – Equipe Lana Del Lovers

Em entrevista para o site espanhol XL Semanal, Lana Del Rey falou sobre o álbum “Ultraviolence”, má imprensa, seu sucesso, internato e muito mais. Leia abaixo a tradução da matéria:

Lana Del Rey fala com aquela voz doce que a tornou famosa. Sentada em um terraço em Los Angeles com shorts, uma camisa branca e com os pés descalços, fumando um cigarro atrás do outro, poucas horas após o primeiro single do “Ultraviolence”, seu terceiro álbum, ter sido lançado. Longe de se comportar como uma estrela, cada vez que se refere a uma fama que parece não acreditar em tudo, Del Rey usa um eufemismo: “Desde que me tornei visível…”. Algo que aconteceu em 2011, graças ao videoclipe da música “Video Games” e um estilo nostálgico que tornou-se sua marca registrada. Seu segundo álbum, “Born to Die”, vendeu cinco milhões de cópias no mundo todo.

Mas desde que tornou-se “visível”, Del Rey vive em meio a polêmicas. Especialmente desde que o The New York Times a dedicou um artigo intitulado: “Lana Del Rey é uma fraude.” Seus detratores a acusam de ser um produto pré-fabricado por um pai milionário, os lábios são o trabalho de um cirurgião plástico, que seu nome artístico é o trabalho de um publicitário astuto e, em um momento de divas extravagantes e sexy, ela é o perfeito contraponto ‘retrô’ saído da cabeça de algum gênio do marketing. Ela se queixa, por fim, não ser verdade. Mas ao estar próximo dela, parece tudo menos um produto. Amável e amigável, quer contar sua história. Ela está cansada de todos contar a sua história por ela.

“Ultraviolence” é o seu terceiro álbum. Qual estado de espírito ele reflete?
Um estado de espírito sexy, incomum para mim [risos]. É também um disco livre. Eu gravei em seis semanas. Foi muito divertido. Antes disso, era muito difícil.

Você refere-se ao seu êxito repentino?
Sim. Apesar de muitas pessoas terem comprado o meu último álbum, eu sabia que nem todos tinham gostado dele. Teve aqueles que escreveram que ele era horrível, até mesmo prejudicial.

Você se sentiu maltratada pela imprensa?
Presentearam-me com uma má reputação [risos].

E você não merecia?
Por que eu deveria merecer isso? Sou uma boa menina.

Eles a acusam de ser uma estrela pré-fabricada…
A autenticidade não me parece que vale a pena. “É autêntica!” Então o que? Que tédio! Além disso, eu escrevo e produzo todas as minhas músicas!

Nisso você tem razão. Dezenas de estrelas não escrevem o que cantam e ninguém põe a sua autenticidade em questão…
Exato. Fui invisível por sete anos. Nenhuma gravadora estava interessada em mim. Não havia lugar para uma cantora lírica em um momento que só se trabalhava com rap e pop nos EUA. Nem o rock estava vivo.

E, em 2011, “Video Games” de repente a coloca no mapa…
Três anos atrás, eu me tornei visível e as pessoas começaram a me perguntar: “De onde você saiu?”. Haviam várias páginas em branco em minha história e espaço de sobra para inventarem coisas. No fim das contas, a verdade é o que está escrito a seu respeito, a palavra jornalística. Tem sido sempre assim.

Ou a amam ou a odeiam. Por que você acha que é assim?
Talvez minhas mensagens pareceram confusas. Eu não faço pop, meu processo criativo é mais psicológico. Quando as pessoas começaram a ouvir, já tinha passado dez anos escrevendo e tinha um universo psicológico muito profundo.

Já chegaram a te tachar de antifeminista…
Sim, alguns acreditavam que a minha mensagem era prejudicial para as mulheres, mas eu estava falando sobre meus sentimentos. Eu tenho um relacionamento maravilhoso com os homens. A energia masculina é uma grande inspiração para mim.

Da a sensação de que sem certa dose de polêmica é difícil ter sucesso…
Eu não sei. Mas há pessoas que imploram por isso. Eu não procurei.

Eles também dizem você passou por alguns procedimentos estéticos. Você se incomoda com isso?
Claro que me incomoda! [risos]. Eu gosto de me parecer um camaleão, mas não suporto mentiras.

Parece que o seu estilo ‘retrô’ é quase uma reação ao estilo hipersexual de outras estrelas como Miley Cyrus, Rihanna ou Lady Gaga. É isso mesmo?
Não é uma declaração de intenções contra o que representam outra cantoras. É meu estilo natural. Embora, sou honesta, às vezes sim eu pensei: “Vou abotoar meus botões” [risos]. É apenas uma manifestação das minhas origens. Minha família é muito tradicional.

O que você estava procurando quando entrou neste negócio?
Buscava uma comunidade artística como a de Dylan, Joan Baez ou a geração de Jack Kerouac, Allen Ginsberg… na década de sessenta, onde passavam noites escrevendo romances ou músicas folk. Também o respeito como escritora dentro dessa comunidade. E, na verdade, não encontrei nenhuma dessas coisas.

O que você encontrou nessa mudança?
Para ser honesta, nada. Desde que me tornei conhecida, nada é muito claro em minha vida. Assim que o caminho estiver desmarcado, um novo obstáculo aparece. Eu tive muitos altos e baixos.

Parece ter sido um processo difícil. Você já pensou em desistir?
Todo o tempo. A vida é curta. Estar entre pessoas que não te entende não é nada agradável.

Confessa que não gosta muito de se apresentar, porque?
No estúdio, com meu produtor, é quase como uma relação romântica, temos uma química natural. Mas quando você não conhece o seu público, não se pode confiar que eles vão te aceitar se você perder o equilíbrio e cair. Agora que eu sei que isso também faz parte do show e eu estou começando a gostar.

Quais são as diferenças entre Lizzy e Lana?
Nenhuma. Mudei meu nome para mostrar aos outros como era por dentro. Porque, no momento do nascimento, dão-lhe um nome, localização geográfica e, talvez, até mesmo ditar a profissão que você deve exercer. E eu não quero responder a um arquétipo.

A propósito, por que um nome artístico latino-americano?
Eu tenho uma grande afinidade com a cultura hispânica. Adoro o seu exotismo e paixão. E eu amo o nome Lana.

Desde pequena queria ser poetisa. Que tipo de garota você era?
Tinha muita imaginação, um forte diálogo interno, era tradicional e muito precoce. Com dez anos eu pensei que era um adulta. Meus amigos eram os amigos de meus pais, eu pensava que era uma deles. E eu adorava escrever.

Aos 15 anos, você foi enviada para um internato. Isso te marcou?
Talvez… Eu mal me lembro daqueles dias. Para mim, minha vida começou quando fui para Nova York com 18 anos. O que aconteceu antes é envolto em neblina. Eu não gostava do internato, não falava com ninguém. Eu estava no coral, queria cantar com todas as minhas forças e não sabia como.

O que é mais importante nesta indústria: talento, marketing ou sorte?
Para a maioria das pessoas, é principalmente uma questão de marketing. Para mim, foi a persistência. Era o meu sonho.

E ninguém tentou te arrastar para outra direção?
Às vezes. Eu faço o disco sozinha, então eu entrego para a gravadora e eles dizem: “Não há nenhum single!” E eu digo: “Eu sei!” [risos]. Você deve ser muito forte, mas eu sempre acabo ganhando.

Você sempre teve essa confiança?
Como pessoa, sim; musicalmente, não. Aos 20 anos, um famoso produtor reparou em mim depois que nenhuma gravadora gostou do que eu estava fazendo. Eu entendi que eu não ia ser uma artista conhecida, mas também tinha pessoas que estariam interessadas no que eu estava fazendo. Isso é tudo que eu preciso.

Você trabalha com pessoas marginalizadas desde que era adolescente. O que essa experiência lhe ensinou?
Sabe aquela expressão: um tigre não pode mudar suas listras? Bem, as pessoas podem mudar suas listras e tornar-se um dragão. Eu vi como pessoas sem esperanças se transformaram e começaram a inspirar os outros.

Estudou metafísica na faculdade. De onde vem esse interesse?
Com 11 anos, eu já sabia que todos iríamos morrer… e isso me afligia. Os conceitos de infinito e da eternidade, também me torturavam. No colégio interno, eu me inscrevi para aulas de Metafísica. Foi o primeiro assunto, além da literatura, que me interessa. Pela primeira vez, eu estava em boa companhia.

Geralmente falam de um plano divino, o que isso quer dizer?
Antes eu traçava meu caminho e sempre acabava frustrada. Parei de tentar e aceitei que a vida funciona de acordo com suas próprias regras. Quando eu fiz isso, tudo começou a se encaixar. Se, por exemplo, alguém me recomenda um livro, alguém no ônibus acaba deixando-o esquecido pra mim. Coisas assim.

Sinais?
Sincronicidades. Costuma-se dizer que as coincidências são as maneiras que Deus tem de permanecer anônimo. Sincronicidades são um sinal de divindade. Respire fundo e diga: “Eu não quero nada. Vou deixar as coisas acontecerem.”

Requer muito auto-controle, certo?
É, paciência. Como deixar que as letras venham até mim. Às vezes é doloroso, mas é o único caminho. Sinto que o meu caminho foi revelado a mim, mas eu precisava ser um vaso vazio para que isso acontecesse. Como um conduíte elétrico. A eletricidade não atravessa se ​​você é cheio de bloqueios.

Sua música é muito melancólica, você também?
Eu me esforço para ser feliz… e eu tenho sido. Sou solitária.

E onde você busca tranquilidade em meio ao burburinho que ronda uma estrela?
Há muito tempo que eu não estou sozinha. Minha vida pessoal é uma loucura e minha carreira é cheia de altos e baixos. Mas não pode ser pior do que era [risos]. Ela só pode ficar melhor.

Tradução por Thiago Goedert. – Equipe Lana Del Lovers

Em entrevista para a revista alemã ‘Intro’, Lana Del Rey falou sobre o processo de criação do seu novo álbum, “Ultraviolence”, seus ídolos, vida pessoal e muito mais. Leia abaixo a tradução da matéria:

Lana Del Rey veio do nada com sucessos como “Summertime Sadness” e parecia ser um ícone da época de ouro de Hollywood, em 2012. Como criadora da própria figura artística, a desconhecida Elizabeth Grant não ganhou elogios apenas pelo seu novo nome. As críticas pela sua mudança de imagem ficaram mais altas também.

Agora, o seu segundo álbum “Ultraviolence” está finalizado, a artista tem a vida em ordem com sua auto-realização. Emanuel Bergman se encontrou com uma Lana Del Rey relaxada, em Hollywood, que conversou abertamente sobre seu trabalho com Dan Auerbach, seu amor por Marilyn Monroe, seu medo de tubarões e a comentada cirurgia plástica.

Lana Del Rey se senta na varanda de seu bangalô no Hotel Sunset Marquis, em West Hollywood. Ela fuma seu cigarro enquanto aproveita o sol de abril neste lugar maravilhoso. O Sunset Marquis é – como o próximo Chateau Marmont – um hotel Rock and Roll. Algumas das maiores estrelas do mundo da música amaram e brigaram umas com as outras aqui se não gravassem algumas músicas do momento. O hotel têm um estúdio subterrâneo.

Ela escreveu suas primeiras letras em um trailer e aceitou que não teria nenhum sucesso. O álbum “Born to Die” a catapultou surpreendentemente nos charts, especialmente na Europa. Com 27 anos, a nativa de Nova York agora tem o coração batendo forte por toda Costa Oeste. Por exemplo, ela ama os ícones dos filmes que só a Califórnia tem. Lana Del Rey gosta de grandes gestos, ela sussurra como uma verdadeira diva de Hollywood nas músicas de seu novo álbum, “Ultraviolence”. Os tópicos principais ainda são o amor e a morte. Embora seja questionável se o público americano a amará tanto quanto seus fãs da Europa.

Ao decorrer da conversa, Lana Del Rey não parece uma estrela inacessível, mas sim relaxada e com os pés no chão, amigável e pensativa. Antes da entrevista, ela esteve no Coachella pela primeira vez. Parecia que ela não conseguia acreditar em seu próprio sucesso.

Como foi sua apresentação no Coachella?
Bem louca. Eu não esperava que o Coachella fosse me convidar um dia. E então há mais de 50 mil pessoas em frente ao palco. Foi um momento deslumbrante para mim, nossa maior performance na América até agora. Eu também assisti alguns shows. Eu realmente gosto de Matt Bellamy do Muse, então os assisti no sábado. E eu vi Lemmy e Motörhead da beira do palco, e Slash estava no palco como convidado. Louco.

Você estava curiosa para ver como ficariam as novas músicas do álbum “Ultraviolence”?
Claro, me levou um tempo para escrevê-lo. Durante os últimos dois anos, muitas vezes eu me perguntava: “O que você vai fazer agora?” E a minha resposta era: “Eu ainda não sei.” Mas no último novembro, finalmente surgiu algumas melodias para que eu pudesse encontrar as palavras certas. Então me acomodei no Electric Lady Studios no Lower East Side de Nova York. O proprietário, Lee Foster, é um amigo meu desde dez anos atrás. Eu perguntei a ele se eu poderia brincar um pouco e ele disse: “Claro.” Tive o estúdio para mim por três semanas inteiras, mas às vezes Rick Nowels também aparecia por lá, e eu já pensava que estava tudo pronto, mas então eu conheci Dan Auerbach do The Black Keys.

Dan Auerbach influenciou na finalização do álbum?
Sim. Nós nos encontramos em um clube, olhamos um para o outro e: “Hey, devemos fazer um álbum juntos.” Isso é realmente incomum para mim. Eu trabalho com as mesmas pessoas desde três anos atrás, na verdade, não tinha a intenção de envolver mais ninguém. Mas Dan tem uma certa espontaneidade. Ele é um ser humano muito positivo. Apenas uma semana após conhecê-lo no clube, eu voei para Nashville. Ele convidou alguns dos seus amigos do Brooklyn e escutou as treze demos que eu produzi no Electric Lady Studios. Eu estava no mesmo cômodo que a banda. Desta vez, eu não queria cantar em um microfone de ouro Neumann como Sinatra costumava fazer. Eu queria um microfone que eu poderia segurar, de preferência com um cabo. Compramos um Shure SM-58 e gravamos o álbum em seis semanas.

As duas versões do seu single “West Coast” são bem diferentes uma da outra. O que tem a influência particular dos produtores Dan Auerbach e Rick Nowels a ver com isso?
Rick Nowels é como se fosse meu melhor amigo, no quesito música. Ele é muito preciso e eu gosto de improvisar. Quando ele toca alguns acordes, eu posso cantar livremente por uns vinte minutos. Ele é sempre surpreendido como uma música é criada assim. No começo, não conseguia gostar de “West Coast”. Para mim, o som era muito estruturado. Verso, refrão, verso, refrão. Muito tradicional. Na verdade, não tinha a intenção de colocá-la no álbum, mas Dan Auerbach trabalhou nela. A banda em Nashville ouviu a versão demo de Nova York por três vezes e, em seguida, apenas começou. Os acordes não mudaram mas surgiu um fogo na canção. Eu queria esse fogo.

O título do álbum, Ultraviolence, é uma referência ao romance Laranja Mecânica ou da adaptação cinematográfica feita por Stanley Kubrick?
Eu gostei da palavra. Algum tempo atrás, eu fiz um curta-metragem de 30 minutos chamado Tropico, que não foi um verdadeiro sucesso. A palavra “Tropico” não tem um significado especial, apenas significa “tropical”. Eu só gosto do som de algumas palavras, assim como em “Ultraviolence”. Tem todos os elementos que eu quero: beleza, dureza, a feminilidade, a reunião de masculinidade e feminilidade. Mas, eu sou uma grande fã de Kubrick.

Sempre aparecem ídolos do cinema, como Marilyn Monroe ou John Wayne, em suas músicas e vídeos. De onde vem esse fascínio?
Eu não tenho uma conexão especial com John Wayne. Mas alguém como Marilyn… É possível que ela diz algo mais para mim do que para a maioria das outras pessoas. Eu li muito sobre Marilyn e eu me sinto muito conectada com ela e com sua personalidade. Ela era uma boa pessoa, sensível, calma e eu acho que isso é muito simpático. Ela deu tudo de si para atuar e cantar, mas ela foi muito atenciosa ao mesmo tempo. Eu me vejo assim também.

Ela inventou a si mesma de uma maneira nova. Norma Jean se tornou Marilyn. Foi similiar com você, você é sua própria criação também. Como você chegou à decisão de que Elizabeth Grant deveria se tornar Lana Del Rey?
Quando eu era jovem, muitas vezes eu me perguntava se um dia teria coragem o suficiente para mudar o meu nome e tornar-se o “Diretor de Criação” de minha própria vida. Se eu seria capaz de criar a vida que eu estava sonhando. Eu estava diante de uma tarefa assustadora. Minha família é muito tradicional, então para mim era um objetivo arriscado. Mas com o tempo, tornou-se doloroso viver uma vida falsa. A única chance era tornar-se uma verdadeira cantora, mesmo que eu não tivesse uma carreira de verdade. Não funcionou durante sete anos.

Como é que surgiu o nome Lana Del Rey?
Meu namorado na época era de Delray Beach, na Flórida. Muitas pessoas que costumavam lutar contra a sua dependência de drogas e álcool viviam lá. Uma comunidade exótica. Eu gostei muito. E eu gostei do suave som de “a” em Lana, como em “Allah” ou “Paradise”.

Então, você mudou-se intencionalmente. Quem ou o que é o seu verdadeiro eu?
Meu verdadeiro eu é sempre a pessoa que eu sou agora. Quando você nasceu, alguém decide o seu nome e sua localização, de alguma forma também o seu trabalho. No passado, eu não era vista como realmente sou. Eu sou tradicional de um lado, mas por outro lado eu também tenho um monte de fantasia e criatividade. Há uma grande quantidade de trabalho necessária para criar-se um mundo audiovisual em que você pode viver. Não é fácil, mas você também pode viver no mundo real.

Você precisa de muita auto-disciplina para ser Lana Del Rey?
Não, auto-disciplina não é a palavra certa, é mais o contrário. Você tem que ser capaz de se soltar e deixar acontecer.

Você é muito bem sucedida agora. Isso também traz para você uma certa imagem. É difícil controlar a sua própria imagem no período da mídia social?
Sim. Estive vivendo e trabalhando no Underground de Lower East Side durante sete anos, desconhecida. Eu era capaz de escrever lá em paz e eu realmente gostei disso. Quando eu toquei minhas músicas para as pessoas, não houve qualquer reação. Mas eu pensei: “Ok, então esta é a minha maneira. Eu faço o que eu amo, mas ninguém vai vê-lo.” Eu tive que aceitar as consequências, financeiramente. Três anos atrás, o holofote se acendeu sobre mim, quando Fearne Cotton tocou uma das minhas músicas no rádio. Pessoas que pensavam que eu não era interessante, de repente fixaram os seus olhares sobre mim. E em breve eles irão dizer: “No passado, ela era isso, agora ela é isso.” Eles não viram o processo da minha mudança. É uma questão de timing. Você se encontra em um ponto diferente da sua vida diária. O momento em que as pessoas vêem o que você, é o momento que você começar a existir para eles. Mas a minha vida já estava acontecendo muito antes do meu sucesso.

No passado, a cultura das estrelas em Hollywood foi afetada pela aura dos segredos. Hoje, há muitas estrelas que não se preocupam com privacidade. Será que isso te assusta às vezes?
Sim. Minha família é muito reservada. Se alguém tem problemas, você fala sobre eles com privacidade. Você não deveria sair com as suas preocupações, isso seria ruim.

Você acha que na Europa a fama e o sucesso são tratados de formas diferentes do que nos EUA?
Não. Mas eu acho que os artistas extraordinários são mais aceitos na Europa. Nós não se apresentamos muito nos EUA antes do Coachella, mas fizemos grandes apresentações em Portugal, Alemanha e República Tcheca. A mentalidade europeia é muito diferente, as pessoas aqui são mais corajosas para analisar um trabalho. A visão da arte e da compreensão do artista é composta de forma mais ampla. Nos EUA, o mercado da música pop está cansado, você é rejeitado rapidamente. As pessoas só se preocupam com os charts. Mas atualmente, isso está mudando aos poucos.

Mas também para a Europa, como nos EUA, se aplica que a beleza e juventude são admiradas.
Não só na nossa cultura. Uma mulher bonita é um arquetípico, que também se aplica no antigo Egito.

…mas cirurgias plásticas geram críticas negativas. Porque?
Isso é porque é arquetípico. Eu não vou muito fundo no mar, tenho medo de tubarões. Eu nunca vi um tubarão mas o pensamento não me deixa ir. É algo arquetípico. É sobre sobrevivência. Se você acredita que alguém ganhou algo impropriamente, você acha injusto. Embora agimos como se fossemos totalmente civilizados, o ponto ainda é a sobrevivência. E, infelizmente, nos dias de hoje, pensamos que sobreviver tem algo a ver com a fama. Não é como no passado, quando ainda era sobre a vida e a morte. Estamos bem no oeste, não temos nenhuma necessidade, só estamos cansados. Qualquer um que tenha seus 15 minutos de fama ganhou o jogo da vida.

As pessoas esperam que as estrelas sejam perfeitas?
Geralmente, estou deprimida porque sou diferente. Para mim, é sobre palavras que criam mágica ou se minha família está indo bem embora sejamos diferente um dos outros. Tive que me distanciar de algumas pessoas nos últimos anos porque entendi que eles não tinham o mesmo objetivo que eu. Quero “me ancorar” a coisas disponíveis, falo sobre relacionamentos reais. Mas eu consigo entender a inveja das outras pessoas. Eu tenho inveja das outras mulheres quando penso que elas desafiam o meu lugar no meu gênero musical.

Só uma última pergunta sobre Hollywood: Você consegue se ver trabalhando como atriz em uma grande produção cinematográfica?
Eu não sei. Mas eu prefiro estar por trás da câmera, filmando o meu próprio material. Mas me sinto mais confortável na frente de uma câmera do que na frente de 50 mil pessoas.

Tradução por Gabriela Mendes e Thiago Goedert. – Equipe Lana Del Lovers

Lana Del Rey tem passado os últimos dias dando diversas entrevistas para estações de rádio nos EUA, como forma de promover seu novo álbum. Antes de seu show no Toyota Oakdale Theatre, na última quinta-feira, 08, a cantora conversou com a estação 96.5TIC e falou um pouco sobre seu novo álbum “Ultraviolence”, seus fãs e sua atual turnê. Leia a tradução abaixo:

Tem sido uma jornada selvagem para Lana Del Rey desde que a cantora alcançou a fama com seu hit “Video Games”. Agora ela está no meio de uma turnê esgotada pelos EUA, com seu segundo álbum “Ultraviolence” pronto para ser lançado em junho deste ano. Os fãs tiveram um gostinho do novo álbum com o primeiro single “West Coast”, mas Del Rey dá a entender que é apenas uma amostra do que está por vir.

“Não há um tema específico no álbum, é algo mais atmosférico. Há mais de um som”, ela explica. “Eu sinto que ele tem uma narrativa; ele começa com a minha música favorita, chamada “Cruel World”, que tem estas guitarras pesadas e eu gosto disso, porque é simbolicamente uma referência a Costa Oeste, e de lá nós viajamos até o Brooklyn, sonoramente.”

Gravar um álbum pode ser um processo muito fluido, e uma das mudanças mais notáveis em “Ultraviolence” foi a inclusão de última hora de Dan Auerbach na produção. “Eu o conheci em Nova York, quando eu achava que o álbum já estava pronto”, disse Del Rey. “Então decidimos voar para Nashville e ficamos seis semanas lá. Ele foi realmente incrível… Eu e Dan fizemos exatamente o que queríamos fazer.”

“Estou muito animada com o álbum”, continuou ela. “Minha gravadora me apoiou em todas as decisões, me permitindo fazer um disco com muitos tons de jazz e influências da Costa Oeste. E a turnê têm sido bastante surpreendente… Eu vou fazer alguns shows na França e Londres, por cerca de 40 dias , então eu vou estar por aí.”

Antes disso, porém , Del Rey está terminando sua turnê pelos EUA, tocando em teatros com capacidade esgotada. Enquanto seus fãs não têm o seu próprio apelido, como os Katycats ou Directioners, ela os ama do mesmo jeito. “Meus fãs não tem um nome, eles são apenas eles mesmos”, disse ela. “Eu geralmente fico com eles por horas, apenas dizendo ‘oi’… Eu realmente aprecio o apoio. O fato de que eles realmente amam a música é bastante gratificante para mim.”

Com mais shows e o novo álbum no horizonte, Lana Del Rey se mostra bastante animada. Ela ainda mantém essa estética atmosférica em seu camarim, adornado com velas e muita iluminação. “Meu gerente de turnê é incrível, ele faz tudo de um jeito bem mal-humorado”, disse ela, antes de acrescentar que não gosta do ambiente escuro. “Eu sou controlo tudo… água e batatas fritas não podem faltar em meu camarim.”

Para ouvir o áudio da entrevista clique aqui.

Poucos artistas dividem o público como Lana Del Rey. O que há nela que atrai opiniões extremas?‏ Em entrevista ao site australiano The Age, Lana Del Rey falou abertamente sobre os seus problemas com álcool na adolescência, sua fase no colegial, sua opinião sobre a mídia e muito mais.

Leia abaixo a tradução da matéria:

Quando eu me encontrei com Lana Del Rey em um estúdio de ensaio cavernoso em Hollywood, a cantora de 27 anos estava toda de jeans; calça jeans rasgada e uma camisa jeans de estilo ocidental com sapatilhas. Del Rey acaba de terminar um dia de ensaio para sua próxima turnê, que começa em Las Vegas e a levará pelo EUA e também para à Europa. Seu cabelo está tingido de castanho-avermelhado escuro, puxado para trás de seu rosto, e ela puxa distraidamente os longos fios enquanto fala. Seu rosto está sem maquiagem, e sua pele pálida tem um brilho invejável saudável, mesmo sob a luz sombria do local.

O efeito do look é compensado por um enorme conjunto de cílios postiços, deixados depois de uma sessão de fotos para uma revista francesa no dia anterior. Esse contraste parece de alguma forma de uma peça com as disjunções que definem seu estilo, uma mistura de inocência e astúcia, ingenuidade infantil e glamour descrito como “Nancy Sinatra gangster” ou “Lolita got lost in the hood (Lolita se perdeu no capuz)”.

Eu já apareci pronto para acreditar nos rumores (que ela nega) sobre a cirurgia plástica que produziu seus notáveis lábios, mas ela parece convincentemente natural. Ela tem o rosto de uma modelo, mais moderado na vida do que nos vídeos. A característica de destaque não são os lábios, mas seus grandes olhos delineados, com a cor incomum de floresta-verde-escura.

Del Rey fala em voz baixa com um interior de inflexão de Nova York, e fala hesitante, vagando linhas de pensamento. Ela não checa a imprensa há dois anos e meio, por estar exausta com o que já viu de informações erradas sobre si mesma e sua história. “Leia tudo e assuma o oposto; então você realmente sabe quem eu sou.” Ela dá um sorriso fino. “Realmente não importa o que eu digo.” Tatuado na lateral de uma das mãos está a palavra “Paradise” – uma ideia recorrente em seu trabalho – na outra, “Trust No One”.

A subida em direção a fama de Lana Del Rey começou em meados de 2011, quando sua melancólica canção de amor Video Games atraiu milhões de visualizações no YouTube em questão de semanas. O vídeo, feito pela própria, juntou arquivos de filmes nostálgicos com outros arquivos e imagens de Del Rey, com seus olhos grandes e seu rosto triste, bonito e pálido evocando um atualizado Valley of the Dolls (O Vale das Bonecas – filme estadunidense de 1967).

Ela nasceu Elizabeth Grant, e tinha performado durante anos como Lizzy Grant, tocando em pequenos espaços em Nova York; ela gravou um álbum com o produtor David Kahne (Paul McCartney, The Strokes, New Order), lançado em 2009, que não vendeu. Intitulado Lana Del Ray A.K.A. Lizzy Grant, ele mostra seu experimento com a persona artística que ela trouxe à acontecimento poucos anos mais tarde, com o lançamento de três faixas no YouTube que consolidaram seu som pop, retro e mal-humorado, de estilo visual distintivo: Diet Mountain Dew, Blue Jeans e Video Games. “Eu não tinha qualquer oferta”, ela me conta, “e então, recebo todas as ofertas em um dia – o dia em que Video Games foi tocada no rádio.”

Ela já tinha conversado com John Ehmann da gravadora Interscope, que havia defendido ela desde que viram o vídeo para Diet Mountain Dew no YouTube, bem antes do grande sucesso de Video Games, e ela assinou um contrato de gravação conjunta com a Interscope, Polydor e Stranger. Seu álbum seguinte, Born to Die, estreou como número 2 na parada da Billboard em fevereiro de 2012.

É comum que os artistas mudem seus nomes e brinquem com personagens – só pensar em Bob Dylan (nascido Robert Zimmerman), as muitas encarnações de David Bowie, ou mais recentemente, Lady Gaga. Mas alguma coisa sobre a auto-apresentação de Lana Del Rey, a acessibilidade pop e aspirações artísticas indie, atingiu um nervo, e ela foi rapidamente acusada de ser uma farsa, um produto pop fabricado, com nenhuma autenticidade. De alguma forma, era impossível acreditar que esta mulher jovem e bonita naturalmente poderia estar no controle, como Ehmann descreve seu papel. “A visão é toda dela.”

Ehmann me toca algumas das faixas do novo álbum de Del Rey, Ultraviolence, em seu escritório, Santa Mônica, onde uma grande imagem dela sentada em um trono, rodeada de dois tigres, paira sobre a porta (uma captura de Born to Die). Ele zomba da crença generalizada de que o contrato do Del Rey foi organizado e financiado por seu pai, Robert Grant. “A primeira vez que encontrei ou falei com o pai dela foi cerca de seis meses depois de ter a contratado, em um de seus primeiros shows”, ele me diz.

A crítica atingiu novos níveis de intensidade depois da aparição de Lana no Saturday Night Live, em janeiro de 2012, com os vídeos de sua atuação desastrada circulando amplamente pela internet. Nenhum outro artista inspira um nível comparável de animosidade. O site feminista Jezebel perguntava: “Por que você odeia a Lana Del Rey? Eu não sei por que eu odeio Lana Del Rey”. O site Buzzfeed compilou “Os vinte e seis comentário mais maldosos sobre Lana Del Rey’. Sites no Tumblr como ‘Eu Odeio Lana Del Rey’ espalhavam abertamente a ideia de que o sucesso da cantora é devido a promoção sagaz de seu sex appeal: “Dinheiro vem rápido quando a aparência é de matar”, explica o título de outro blog “troll”.

“Nada disso nunca parecia fazer qualquer sentido”, diz Del Rey, refletindo sobre a intensidade de sua recepção, parando entre as palavras. “Eu não sou uma provocadora. Amo escrever. A palavra escrita é uma das últimas formas de magia que temos. Adoro rimar e escrever. Durante anos, meu foco era a construção de um mundo visual bonito e um belo mundo sonoro e sim, ter uma reação tão forte era… surpreendente? Eu não sei.”

Ela passou por um doloroso período de bloqueio de escrita enquanto estava em turnê, após o lançamento de Born to Die, “tentando escrever coisas que eu pensei que seria mais acessível”, e por um tempo, ela duvidava que ela iria lançar outro álbum. “É este sentimento que vem sobre você, como se apaixonar”, diz ela sobre a inspiração para escrever. “Você tem que ter essa sensação.”

Aquela sensação voltou quando ela conheceu Dan Auerbach, do grupo de rock The Black Keys, que produziu seu novo álbum. Del Rey vinha sentindo há algum tempo que havia algo faltando no seu som, “um tom de guitarra difusa que eu não poderia arrumar sozinha.” Após a reunião com Dan, ela pensou: “Talvez este seja o meu cara!”

O álbum levou um tempo para ser montado – dois anos e meio – devido à aproximação de Del Rey. “Eu estou envolvida no processo, desde a mixagem até a masterização. Cada parte tem que estar certa.”

Del Rey nasceu em Nova Iorque em 1986, e cresceu em Lake Placid, uma pequena cidade no extremo norte do estado de Nova York. “É o local mais frio do país”, diz ela. “É muito insular, muito tranquilo. Não tinha grandes lojas, não tínhamos TV.” Seus pais, Robert e Pat Grant, abandonaram carreiras lucrativas em publicidade em Nova York; Robert tornou-se um agente imobiliário e mais tarde um empresário de internet, enquanto Pat tornou-se professora. Del Rey é a mais velha de três irmãos, e seu irmão mais novo e uma irmã, Charlie e Caroline, agora compartilham uma casa com ela em Los Angeles. Caroline, uma fotógrafa talentosa, é responsável por muitas das imagens mais conhecidas da Lana e suas capas.

Lake Placid era um lugar difícil de ser um adolescente com ambições artísticas, Del Rey se lembra. “Eu realmente queria ser uma cantora. Foi difícil porque…” Ela para e começa de novo. “Eu não gostaria de dizer nada de ruim sobre isso porque é a minha casa, mas eu amo cidades. Viver no Bronx era o paraíso. Eu morei em Nova Jersey. Morei no Brooklyn, e foi quando eu realmente voltei para casa.”

Quando completou 15 anos, começou a agir. “Eu estava redirecionando minha energia. Comecei a sair o tempo todo e faltar à escola um pouco e sim, eu me meti em problema.” Conflito com os professores na escola, onde sua mãe também lecionou, levou seus pais a mandarem para Kent, um internato particular em Connecticut; seu tio tinha tomado recentemente uma posição lá como funcionário de admissão, e ele ajudou a organizar a ajuda financeira.

“Eu estava sozinha, mas eu tinha esse professor que era meu único amigo na escola. Seu nome era Gene. Ele nos leu ‘Leaves of Grass’ e lemos ‘Lolita’ em sala de aula, e isso mudou meu mundo, que era uma mundo realmente solitário. Eu não tinha uma conexão com ninguém na sala de aula e quando eu encontrei esses escritores, eu sabia que eles eram meu povo.” Gene era apenas alguns anos mais velho que ela, saído da Universidade de Georgetown. “Ele iria me liberar e ouviríamos Tupac e outras coisas em seu carro e ele iria me ensinar sobre filmes antigos, como ‘Cidadão Kane’. Ele me ensinou tudo.”

Desde então, se tornou colecionadora de primeiras edições de livros clássicos, incluindo uma primeira edição autografada de ‘Howl’ por Allen Ginsberg. Os nomes de suas fontes de inspiração são tatuados em seu corpo: “Whitman” e “Nabokov”, homenagens aos escritores que Gene apresentou-a, em seu antebraço direito; “Chateau Marmont”, o famoso hotel de Hollywood. “Nina” e “Billie” estão acima do seu peito esquerdo, por Billie Holiday e Nina Simone, seus cantores favoritos. “Eu só gosto da ideia de mantê-los por perto. Eu gosto da ideia deles vindo em turnê comigo.” Ela ri. “Isso me faz feliz.”

Após o colegial, Del Rey entrou em Fordham, uma universidade no Bronx, onde ela terminou um curso de bacharelado com especialização em filosofia, mas se sentiu por fora da vida no campus. “Eu tinha meu próprio mundo acontecendo e foi realmente diferente de pessoas que só saem todas as noites.”

Com os $10.000 que recebeu com o seu primeiro contrato de gravação, ela alugou um trailer na cidade de Nova Jersey de North Bergen por $400 ao mês, e dedicou-se à composição e gravação de vídeos. Seus pais tinham “expectativas tradicionais” para a sua carreira, que foram “orientados para me manter segura” depois da sua adolescência problemática, por isso “mais do meu mundo musical foi mantido em segredo… Eu não quero dizer que era uma perspectiva sem valor, mas temos enfermeiros na família, e professores, o que era uma profissão de mais confiança.”

A mudança de estilo entre os dias de Lizzy Grant loira e o ruivo de Lana Del Rey é desconcertante para algumas pessoas, que suspeitam que ela foi projetada por outros. Mas para as pessoas que comparam Lizzy Grant com Lana Del Rey, ela diz “Eu estava sempre cantando e sempre mudando – o momento bateu quando eu estava em uma fase especial. Poderia ter atingido três anos antes, e, em seguida, eles continuariam voltando para a época em que eu não era assim e tinha minha cor de cabelo natural.” Nesse caso, ela adivinha, os críticos teriam dito: “Agora ela está tentando ser Marilyn, ela está se apresentando com brincos e saltos altos.”

O estilo retrô-glam de Lana podem aparecer conscientemente trabalhada, mas “Eu realmente não me sinto assim”, diz ela. “Eu uso jeans todos os dias, por isso não vou usá-los no palco.” Ela rejeita a ideia de que seu estilo é ditado por qualquer pessoa. “Eu sou muito independente. Eu comando o meu próprio show, é o meu mundo. Nunca há muitas conversa sobre, você sabe, ‘Quando você sair em turnê, como você vai estar visualmente?’ porque sabem que vai ser como é – Eu vou colocar um vestido, eu vou fazer o meu cabelo. Minha percepção pública é diferente da minha vida pessoal, o que é uma maneira muito fácil, natural de fazer as coisas.” Enquanto isso, ela diz, “há estrelas pop que são consideradas autênticas e inovadoras que passam horas arrumando suas roupas.”

Autenticidade, a questão que obceca seus críticos, “não é um conceito interessante para mim”, explica. “É interessante que eles não estão fazendo essa pergunta para pessoas que nem sequer escrevem o seu próprio material. Eu sempre estive realmente em casa comigo e talvez isso afasta as pessoas. Talvez seja um problema para as pessoas. É engraçado – Acabei seguindo meu instinto e isso me levou até onde estou.”

Em seu show em São Francisco, uma semana depois, palmeiras, arranjos florais gigantes e candelabros góticos enfeitam o palco. Del Rey passeia em um vestido curto e branco, calçando sapatilhas. Ela as chuta em um lugar e termina o resto do show descalça. Ela passa as mãos constantemente em seu cabelo, que o usa em ondas naturais. Não há mudanças de roupa, e a apresentação é menos coreografado que a maioria das performances do Australian Idol. O auditório está lotado com mais de 7000 mil pessoas. Está cheio de homens e mulheres jovens, muitas das meninas usando vestidos floridos e coroas de flores em homenagem a um dos looks que definem a cantora. Eles sabem todas as letras, cantando em um coro de apoio estranho em cada faixa, isso quando não estão gritando de emoção. “Isso e demais! Eu realmente sinto uma conexão!”

No final da nossa conversa em Los Angeles, nos dirigimos para fora e fomos para o estacionamento, para uma pausa para o cigarro. “É parte do meu processo, infelizmente”, ela pede desculpas. Ela começou a fumar por volta da mesma época em que desistiu de beber, quando tinha 18 anos. “Eu costumava beber muito e agora eu não bebo”, diz ela. Houve um catalisador para essa decisão? “Toda a minha vida foi o catalisador. Era uma bagunça.” Ela pensa por um momento e diz: “Eu perdi o meu carro, o carro da minha família. Isso não era uma coisa boa. Acho que foi um catalisador. Eu esqueci onde eu o estacionei.” Ela suspira e sorri com tristeza.

Enquanto ela estava ficando sóbria, ela diz: “Eu passei muito tempo tentando descobrir o caminho da minha vida, que foi estar a serviço de pessoas ao meu redor. Ainda é uma parte da minha vida.” Ela mora na beira da Koreatown de Los Angeles, onde um monte de pessoas sem-teto precisa de ajuda para terem sua vida de volta. “O meu tempo livre é gasto fazendo divulgação das coisas. Eu não costumo entrar nisto, porque é mais uma faceta que chocante”, diz ela, referindo-se a preconceitos de como uma pessoa cuja cabeça só está cheia com “vestidos vintage”. “Eu aprendi a manter as coisas que eu realmente faço meio que para mim mesma.”

Tradução por Gabriela Mendes e Thiago Goedert.
Créditos e fonte original: Lana Del Lovers

Prestes a lançar o novo álbum de sua banda, Dan Auerbach tem dado diversas entrevistas para promover o material. Em um bate papo com a revista Rolling Stone, o vocalista e guitarrista do Black Keys, respondeu perguntas sobre o disco “Turn Blue”, liberado esta semana para audição na internet, e também falou sobre sua colaboração com Lana Del Rey.

Questionado sobre seu trabalho em “Ultraviolence”, o produtor não poupou elogios e contou que ele não teve muito o que fazer, justificando que as demos da cantora já eram boas e não precisavam ser mexidas.

“Ela é realmente excêntrica, e, você sabe, extremamente talentosa. Ela tem uma visão clara do que ela é e o que ela quer ser, musicalmente e visualmente, o que é muito legal. Ela olha a coisa toda como um grande projeto de arte, o que é ótimo.”

Auerbach conta que conheceu Lana através de seu amigo Tom Elmhirst enquanto eles estavam em Nova York, trabalhando no álbum do cantor Ray Lamontagne.

“Nós saímos uma noite, com alguns amigos de Tom, e lá estava ela, e eu nunca a tinha visto antes. Ela realmente não conhecia minha música e, para ser honesto, eu também não conhecia a dela. Eu só sabia dela, você sabe, porque a imprensa só falava dela. Nós então nos conhecemos e gostamos um do outro, ela falou sobre música e percebemos que tínhamos coisas em comum. Combinamos de passar alguns dias em Nashville gravando algumas faixas, e isso resultou em duas semanas fazendo um álbum inteiro.”

Falando sobre as canções que produziu, Auerbach admite que ele não teve muito o que fazer.

“Suas demos eram tão boas, suas canções eram tão fortes que eu quis levar a mesma sonoridade para as minhas músicas. Eu não queria estragar tudo. Ela canta ao vivo com uma banda de sete peças. É disso que se trata o disco – uma banda de sete peças com ela cantando ao vivo. Foi uma loucura.”

Comentando sobre o álbum “Turn Blue”, Dan credita Lana Del Rey por tê-lo influenciando a escrever canções mais pessoais.

“Eu aprendi muito gravando com outros artistas, vendo eles cantarem sobre experiências pessoais. Até mesmo Lana, vendo-a gravar essas músicas que são extremamente pessoais e que me fazem sentir desconfortável, há algo extraordinário sobre isso.”

Auerbach ainda defende a cantora quando o assunto é sua polêmica apresentação no programa Saturday Night Live, em 2012.

“Eu sei que ela foi bastante criticada por causa do SNL. Eu não consigo imaginar como seria estar em sua posição – ser relativamente desconhecido e ser empurrado para um programa de nível mundial. Lembro-me da primeira em vez que tocamos a música ‘Conan’, estávamos tão nervosos e tocando uma música de rock n’ roll. Ela estava, tipo, usando a droga de um vestido sob um holofote. Deve ter sido uma loucura, mas ela cantou ao vivo e não houve edições. Foi incrível. Ela deixou todos impressionados.”

Ouça abaixo o novo álbum do Black Keys, “Turn Blue”.

Capa da edição de junho da revista francesa Libération Next, Lana Del Rey concedeu uma entrevista bastante íntima e reveladora sobre o seu novo álbum “Ultraviolence”, e as críticas que ela enfrentou no início de sua carreira. A cantora também fala sobre sua vida pessoal e deixa sua opinião sobre o cover de “Summertime Sadness”, feito por Miley Cyrus.

Leia abaixo a tradução da matéria:

Lana Del Rey, ícone americano, parece estar cansada de seu visual vintage dos anos 50. Para a primeira sessão de fotos de uma grande promoção que está por vir, ela não quer parecer muito artística e decide usar roupas de seu próprio guarda-roupas, compradas em lojas locais. Estamos de volta aos anos 60 e 70, vibe retrô, mais parecida com Janis Joplin do que Patti Smith.

“Tenho visto tantas fotos de mim que me fazem sentir desconfortável. Muitas mesmo. Mas é o que os meios de comunicação querem”, diz ela, enquanto cruza seus dedos com grandes unhas postiças vermelhas.

Com um cigarro em sua mão e o iPhone ligado tocando alguma música reggae, ela diz que prefere trabalhar com uma equipe leal. Ela está muito surpresa consigo mesma por trabalhar com um novo produtor, o famoso Dan Auerbach, líder da banda The Black Keys.

“Eu o conheci em um clube de strip no Queens. Eles tocaram uma de minhas músicas e nós dançamos juntos. Uma semana depois, eu fui com ele para sua casa em Nashville gravar algumas músicas. Dan é teimoso, um homem dominante que gosta de testar suas próprias idéias primeiro. Na verdade, ele geralmente soava exatamente como eu queria. Sobre mim, se eu sou uma pessoa dominante? Sim, mas apenas quando é sobre meu trabalho.”

Ela soa bastante especial quando fala, ela me lembra Marilyn, ela até mesmo já tentou imitá-la em seu antigo vídeo caseiro, Kill Kill.
Ela tenta encontrar as palavras certas, fica em silêncio em certos momentos, interrompe a conversa com grandes gargalhadas. É uma mistura de timidez, apreensão e paz.

Três anos após a tempestade, todos nós queremos saber como ela está se preparando para enfrentar a próxima onda. Com exceção de seu visual, isto será uma grande oportunidade, pois nunca é tarde demais para começar uma revolução.
As batidas hip-hop de “Born to Die”, suas cordas e violinos lendários se foram. Guitarras, rock n roll e vibes suaves de jazz – “Ultraviolence” está aqui. Sua faixa favorita é “Cruel World”, que fala sobre amor doentio.

“Ultraviolence é sobre o homem que precisa da mulher. Mas antes do sentido real, eu apenas gosto da palavra. É o espaço no mundo sonoro que eu queria fazer.”

No disco, Lana Del Rey canta sobre desfrutar a vida e tornar-se selvagem, mas com o medo do fracasso.

“Quando eu componho, eu penso na liberdade que eu tinha quando tinha 17 anos, sobre a vida que me faz sonhar. Minhas influências são as músicas que ouço e os filmes que assisto.”

Ela cita Jeff Buckley, Nirvana, Nina Simone e adora Kubrick, Tarantino e David Lynch.

Um cigarro entre os lábios, Lana Del Rey olha a paisagem e vira de costas para um lago cheio de carpas chinesas, todas brancas e laranjadas. Não muito longe, há um Rolls bege na garagem.

“Eu dou entrevistas e faço sessões de fotos, mas eu vivo em um mundo real, eu sou solitária. Aqui, é tudo sobre mim, mas em casa tudo se resume ao meu irmão, minha irmã, e James, meu noivo.”

Lana Del Rey está se acomodando em Los Angeles, onde ela vive agora, depois de viver em Lake Placid, sua cidade natal, perto de Nova York. Ela é a filha mais velha, e isso a torna muito “maternal”. As pessoas costumavam dizer que seu pai era rico, ele é um corretor de imóveis.

“Todos diziam que ele havia comprado meu contrato de gravação. Mas as gravadoras não precisam de dinheiro, eles querem artistas. Estes foram os ataques mais fracos.”

Cantando de forma não profissional por 7 anos, ela costumava ficar no Brooklyn. Ela sempre falou sobre seu antigo problema com álcool e como superou tudo isso.

A voz dela estava em todo lugar em 2011 – o impacto de “Video Games”. Logo, todos imaginavam-na como uma diva, uma grande performer. Na verdade, todos nós descobrimos que ela era – uma menina tímida. Perguntamos: “Você gosta de estar no palco?” Ela responde: “Às vezes”.

Lana Del Rey é incomum, ela não lê nada que seja a seu respeito, “tão malvados”, diz ela, que evita até mesmo redes sociais.

“Eu ainda me sinto presa em dois mundos sempre que tenho que falar sobre a fama. Nos EUA, você nunca me vê na TV, eu não conheço nenhuma outra celebridade e raramente eu saio de casa. Em minha casa, tudo está sempre ligado – televisão, rádio, luzes… Isso me ajuda a dormir. Eu fico nervosa sempre que eu tenho que dormir. O que eu amo? Dirigir. Isso me relaxa.”

Uma aura, às vezes ingênua e sensual, mais sensual, emerge sempre que você a vê.

“Você nunca tem certeza sobre o que você deve revelar, especialmente quando você é um artista. Eu venho de uma família muito tranquila. Eu preciso sentir e controlar tudo o que acontece ao meu redor. Se você fala muito, as pessoas podem te entender de forma errada. E se você fica quieta, eles podem imaginar o que quiserem.”

Ela quase desistiu de tudo, por muitas vezes, mas ela decidiu ficar, enquanto algumas grandes celebridades dominavam a indústria musical, como Lorde, Grimes e Miley Cyrus. Essa por sua vez, fez um cover de “Summertime Sadness” em sua nova turnê.

“Eu fiquei sabendo. Isso me deixou surpresa. Nós somos tão diferentes. Ela é maior que a vida, sem qualquer limite. A principal diferença entre nós é, provavelmente, que eu nunca quis fazer qualquer provocação porque eu sei quais são os riscos. Eu sou bastante confusa e perturbada.”

Lana Del Rey sente como se tivesse vivido três diferentes vidas: “antes da tempestade, o desastre e depois.”
Ironia, óbvio. Mas então, ela diz, de uma forma séria:

“O que não te mata te faz mais forte? Pessoalmente, isso me machuca profundamente. Eu estou tão cansada disso. Felizmente, quando eu componho, eu procuro não pensar o que as pessoas irão imaginar sobre o meu trabalho. Eu só espero que tudo isso não aconteça novamente.
Você já leu algo bom sobre mim? Na França, talvez. Todos esses jornalistas tentaram entender o que eu estava fazendo. Talvez porque aqui, vocês tenham uma verdadeira cultura artística e romântica. Eu me sinto compreendida em seu país. Em outros países, nem tudo que eles escrevem é sobre a minha música. Eu nem mesmo sei o porque… Mas é assim que a vida funciona.”

Ela está aqui de pé, vestindo uma calça jeans rasgada. Lana Del Rey tem entendido que ELA é o conflito. Esperançosamente, toda a controvérsia irá terminar com “Ultraviolence”, o terceiro capítulo de sua carreira.

“Soa como tudo que eu já ouvi.. Phil Spector foi uma das minhas principais inspirações, honestamente. O álbum tem uma influência californiana. Com diferentes efeitos e progressões, com uma energia forte que me faz pensar em Nova York.”


Ultraviolence, junho.

Lana Del Rey concedeu recentemente uma entrevista ao jornal Metro, onde ela fala sobre o novo álbum, novo single e também sobre sua apresentação no Coachella. No curto bate-papo com o jornal sueco, a cantora revela um pequeno trecho da letra de uma canção do álbum e confessa que cantar no festival americano foi um dos melhores momentos de sua vida.

Confira a entrevista abaixo:

“Foi um dos melhores momentos de minha vida.” – Sobre sua apresentação no festival Coachella

“Não é uma canção óbvia. Tem uma parte sexy nos versos, mas o refrão é mais lento. Um som mais despojado. E eu gosto da letra ‘Lá na Costa Oeste, eles têm um ditado, se você não está bebendo, então você está fora do jogo.’ É sobre a energia da Califórnia, que tem sido uma grande inspiração para mim.” – Lana sobre o novo single ‘West Coast’

“Ultraviolence tem coração e alma. Periculosidade e beleza. Uma escuridão melódica, onde notas de guitarra formam baladas românticas.”

“Todos me diziam que meu próximo álbum deveria ser maior e melhor, depois eu respondi: Não, ele precisa ser mais pessoal. Eu canto, por exemplo, ‘he hit me and it felt like a kiss’, um sentimento que eu amo. Sabe quando você acha que é amor, mas é tão cheio de paixão que se torna agressivo? É uma qualidade atraente para mim. Em um mundo onde todos estão entediados, eu gosto de pessoas com emoção.” – Lana Del Rey sobre seu novo álbum.

Curiosidade: ‘He hit me and it felt like a kiss’ é um trecho que pertence à música ‘Beautiful Player’, vazada em 2013. Porém, ainda não se sabe se a música de fato estará no ‘Ultraviolence’, ou se Lana reutilizou o trecho em uma nova faixa.

Dan Auerbach, vocalista da banda The Black Keys e produtor do álbum ‘Ultraviolence’, concedeu recentemente uma entrevista à rádio BBC 1, onde falou um pouco sobre o novo material de Lana Del Rey, e contou como foi as sessões de gravação com a cantora. Segundo ele, o álbum é “lindo” e mal pode esperar para que as pessoas possam ouvi-lo.

Leia abaixo o trecho da entrevista:

“É um monstro. É um monstro sonoro. É lindo. Mal posso esperar para as pessoas ouvirem isso.”

“Você sabe, ela cantando ao vivo no estúdio, acompanhada de uma banda, foi realmente mágico, momentos mágicos que foram eternizados na gravação, e, você sabe, é o tipo de coisa que você simplesmente não pode substituir com auto tune. Você sabe o que quero dizer? Foi uma coisa diferente para ela, mas a sua brilhante personalidade ainda estava lá.”

Atualmente, Auerbach está promovendo o novo álbum do Black Keys, e divulgou esta semana o primeiro single do trabalho. Ouça:

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